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domingo, 27 de fevereiro de 2011

A crise de 1929 e o Brasil


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A crise de 1929 e o Brasil

3 de janeiro de  2009

Do café à industrialização

Como a crise de 1929 afetou o Brasil e favoreceu a adoção de um modelo econômico centrado na substituição de importações e na intervenção estatal

José Fucs – Revista Época, janeiro de 2009

Fazia quase dois anos que ocorrera o crash na Bolsa de Valores de Nova York, em outubro de 1929. Mas os estragos provocados pela crise ainda eram sentidos em todo o planeta – e também no Brasil. Em junho de 1931, uma nuvem de fumaça gigantesca, que vinha de uma enorme fogueira, pairava sobre a cidade de Santos, no Litoral de São Paulo, por onde escoava boa parte das exportações do café brasileiro. Acesa durante as festas juninas, a fogueira duraria até o fim do ano – mas tinha pouco a ver com a comemoração de São João. Ela fora iniciada para queimar os estoques de café, então responsável por 70% das exportações brasileiras, que se acumularam com a retração do mercado externo. Enquanto o fogo durou, consumiu milhões de sacas. O aroma do café torrado era tão forte que ultrapassava as fronteiras municipais. Era contido apenas pelas encostas da Serra do Mar, que se estende pela costa paulista. O café era queimado a mando do governo de Getúlio Vargas para tentar reduzir o impacto negativo da crise no Brasil, então responsável por 60% das vendas mundiais do produto. Vargas assumira o poder um ano antes, por meio de um movimento militar que se tornou conhecido como Revolução de 1930. A economia balançava. As exportações, que atingiram US$ 445 milhões em 1929, caíram para US$ 180 milhões em 1930. Segundo a Bolsa de Café de Santos, a cotação da saca no mercado internacional – 200 mil-réis em agosto de 1929 – caíra quase 90%, para 21 mil-réis, em janeiro de 1930. Nas fazendas cafeicultoras, concentradas no interior paulista e no Paraná, muitos resolveram seguir o mesmo caminho e queimaram o café colhido.

Todos os elos envolvidos na cadeia de produção do café brasileiro – fazendeiros,comerciantes, banqueiros e trabalhadores rurais (a maior parte imigrantes) – foram atingidos pela crise. Muitos produtores foram à bancarrota. O desemprego no campo se multiplicou, estimulando um movimento migratório para as cidades, em especial para São Paulo. Como se veria depois, o que acontecia naquele momento era apenas o início de um profundo processo de mudanças que se prolongaria até o fim dos anos 30, às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Essas transformações marcariam para sempre a economia nacional e internacional. Dos escombros da economia do café, surgiria um novo modelo econômico, que se manteria praticamente o mesmo até quase os dias de hoje. Em 2009, o crash de 29 completará 80 anos coincidentemente, no momento em que parece haver uma crise global de proporções comparáveis, com desaceleração na atividade econômica e alta no desemprego. Embora os contextos das duas crises sejam bem diferentes, a história da crise de 29, em particular seus desdobramentos no Brasil, pode trazer lições preciosas sobre as medidas que ainda fazem sentido – e as que não fazem – para reduzir o impacto do encolhimento global no país.

Naquela época, o Brasil passou por um grave problema cambial. De acordo com o historiador Caio Prado Júnior (1907-1990), autor de História econômica do Brasil, publicado pela primeira vez em 1945, a queda nas exportações, provocada pela crise, gerou um desequilíbrio na balança comercial brasileira. Sem uma indústria sólida, o Brasil exportava apenas café e outros produtos agrícolas, como algodão, cacau e borracha. Como não eram produtos essenciais para o consumidor – portanto, suas compras poderiam ser interrompidas a qualquer hora -, dizia-se que o país tinha uma “economia de sobremesa”. A moeda forte obtida com essas exportações servia para pagar as importações de boa parte dos produtos industrializados consumidos pelos brasileiros. O aprofundamento da crise, porém, provocou a redução da demanda externa e a queda dos preços internacionais do café. Com isso, o déficit comercial do país cresceu rapidamente.

A crise também causou a interrupção do fluxo regular de capital estrangeiro para o Brasil. O dinheiro externo alimentava a economia brasileira desde os tempos do Império, e seu ingresso se intensificara entre a Proclamação da República, em 1889, e a posse de Vargas, em 1930 – período da história conhecido como República Velha. A falta do dinheiro externo agravou ainda mais o déficit cambial brasileiro. A moeda nacional se desvalorizava rapidamente. O valor da libra esterlina, então a moeda mais usada no mundo, passou de 40 mil-réis, em 1929, para quase 60 mil-réis, em 1934. Com as exportações em queda e sem financiamento externo, o governo aumentou de forma brutal a emissão de moeda – e isso provocou alta da inflação.

Para preservar as poucas reservas em moeda forte que o Brasil tinha em caixa, o governo Vargas impôs um rígido controle sobre o câmbio e passou a administrar com rigor as remessas de lucro por empresas estrangeiras. Faltava moeda forte para pagar as importações, essenciais ao atendimento da demanda interna e ao desenvolvimento do país. Houve uma acentuada queda na compra de produtos do exterior, também desestimulada pela desvalorização da moeda brasileira. As importações, que registraram uma média de 5,4 milhões de toneladas de 1926 a 1930, caíram para 3,8 milhões entre 1931 e 1935, segundo Prado Júnior. Na tentativa desesperada de compensar os cafeicultores, o governo Vargas aumentou as compras dos excedentes de café durante praticamente toda a década de 30, segundo afirma o brasilianista Thomas Skidmore, no clássico Brasil: de Getúlio a Castelo, lançado em 1975. Para Skidmore, mesmo com os esforços do governo e a adoção de uma política de “socialização dos prejuízos” dos cafeicultores, era impossível deter o declínio das receitas cambiais brasileiras. (Só recentemente, pela primeira vez na História, o país conseguiu superar o problema crônico de falta de divisas, com a explosão das exportações brasileiras e o acúmulo de US$ 200 bilhões em reservas cambiais.) Nem a queima dos excedentes de café foi suficiente para amenizar o problema. Skidmore afirma que, apesar da queda nas importações, o déficit nas contas externas se aprofundou ainda mais e obrigou o Brasil a suspender os pagamentos da dívida externa em 1938 e 1939. Tal medida voltaria a ser adotada em 1987, meio século depois, nos tempos do Plano Cruzado, implementado no governo do presidente José Sarney. Apesar do impacto que a crise de 29 teve na economia brasileira, muitos acadêmicos acreditam que não foi ela o fator fundamental para deflagrar o movimento armado que depôs o presidente Washington Luiz, em 1930. O historiador Boris Fausto, autor de Revolução de30-a historiografia e a história, afirma que a crise teve “pouco efeito” nos primeiros meses daquele ano no Brasil. Segundo ele, os principais fatores que conduziram à Revolução de 30 tinham relação com a política interna. Principalmente com a ruptura do acordo do “café com leite”, uma espécie de pacto informal entre os Estados de São Paulo e Minas Gerais para se revezar na Presidência. Na visão de Fausto, a crise foi provocada pela insistência de Washington Luiz em lançar um candidato paulista para sua.sucessão nas eleições de março de 1930.

Fausto diz que a derrota de Vargas, o candidato oposicionista apoiado por Minas Gerais, gerou descontentamento em setores da sociedade. Logo em seguida, com o assassinato de João Pessoa, o oposicionista que governava a Paraíba, o clima desfavorável se acentuou. Acusava-se o governo federal de ter patrocinado o crime por motivação política. Hoje, sabe-se que o assassinato de Pessoa foi um crime passional, que nada tinha a ver com política. Mas o episódio serviu como combustível para os “revolucionários” conduzirem Vargas ao poder. “O grande impacto da crise no país viria depois da Revolução de 30″, afirma Fausto.

A economia cafeeira já perdia forças desde antes da crise. Com a ampliação da área de plantio e a superprodução constante, os preços do café estavam em queda há anos. O governo tentava manter a roda girando com a compra dos excedentes – uma estratégia criticada asperamente pelos seguidores da política liberal do “laissez-faire” na economia. Para eles, a tentativa de manipular o preço do café teria efeito efêmero e seria contraproducente no longo prazo. O governo, no entanto, não dava ouvidos à oposição. “Era uma situação paradoxal: o Brasil exportava produtos primários e importava produtos manufaturados, como sugeriam os princípios do liberalismo econômico”, diz o brasilianista Skidmqre. “Mas tentava, também, aumentar ao máximo sua vantagem relativa por meio de controles de mercado e da intervenção estatal num setor vital da economia.”

Como se tudo isso não fosse suficiente, crescia a concorrência internacional – em particular da Colômbia – ao café brasileiro. Os principais países consumidores, como Estados Unidos, Franca, Itália, Holanda e Alemanha, que compravam 80% da produção brasileira, passaram a diversificar seus fornecedores. Havia a percepção de que, no Brasil, misturavam-se ao café todos os tipos de impurezas, como pedras, terra e gravetos, para aumentar o peso das sacas. Também se acusavam os produtores nacionais de incluir café de baixa qualidade nas sacas para aumentar o lucro. Quando a crise internacional chegou ao Brasil, ela representou apenas o golpe final para que o sistema econômico da República Velha, centrado na monocultura do café, entrasse em colapso.

A estratégia do governo Vargas para enfrentar a crise baseou-se principalmente na substituição das importações, por meio do desenvolvimento da indústria local, e na intervenção do Estado na economia. De acordo com o economista Celso Furtado (1920-2004), ex-ministro do Planejamento no governo João Goulart (1962-1964), a economia cafeeira, embora em decadência, gerou os recursos necessários para impulsionar a industrialização e favoreceu o desenvolvimento de um mercado interno, formado pela mão de obra assalariada dos imigrantes e pelos produtores rurais e suas famílias.

Inicialmente, a demanda era atendida pelas importações. Depois, passou a ser suprida pela produção local. Sem acesso aos importados, os consumidores representavam um mercado cativo para as empresas nacionais. Assim, apesar da crise externa, a produção industrial brasileira pôde crescer rapidamente. Acentuou-se o processo de nacionalização da economia. A desvalorização da moeda, em decorrência da crise, encarecia as mercadorias estrangeiras e representava um estímulo para a incipiente industria local. Muitos cafeicultores que conseguiram sobreviver à crise começaram a investir no setor industrial. A política econômica de Vargas foi reforçada por dois fatores externos. O primeiro foi o “New Deal”, um pacote de medidas para reativar a economia americana lançado em 1933 pelo presidente Franklin Delano Roosevelt O segundo foram as teorias do economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946), delineadas em seu livro Teoria geral do emprego, do juro e da moeda-, publicado em 1936. Tanto Roosevelt quanto Keynes defendiam a atuação do Estado para estimular a atividade econômica. Keynes, de certa fornia, deu legitimidade conceituai à política implementada por Vargas. No Brasil, um dos principais entusiastas das idéias de Roosevelt e Keynes foi o engenheiro e empresário Roberto Simonsen (1889-1948), senador e presidente da Fiesp, entidade que reúne os industriais paulistas.

Simonsen defendia o fortalecimento do Estado para permitir a industrialização brasileira. Apesar de ter se oposto a Vargas no início do governo, acabou se aliando a ele. Amparado nas idéias de Keynes e Roosevelt, temperadas por seu nacionalismo peculiar, Vargas promoveu a criação em série de empresas estatais. Entre elas, fundou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), privatizada em 1993, e a Companhia Vale do Rio Doce, privatizada em 1997. Em seu segundo mandato, Vargas voltou a investir na criação de estatais. Em 1953, foi a vez de fundar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), depois rebatizado de BNDES, com “S”, para incorporar a palavra “social” no nome. No mesmo ano, foi criada a Petrobras, depois da campanha popularizada pelo slogan O petróleo é nosso. A política econômica de Vargas criou raízes profundas no Brasil. Manteve-se viva mesmo durante o governo militar, que assumiu o poder após o golpe de 1964. Ao contrário dos militares chilenos, que derrubaram o governo socialista do presidente Salvador Allende em 1973, o regime militar que se instaurou no Brasil não apostou no liberalismo econômico para estimular o desenvolvimento. Ao contrário, acabou por reforçar a tendência estatizante e nacionalista que vigorava no país antes de os militares assumirem o poder. Durante o regime militar, foram criadas diversas outras estatais, entre elas a Telebrás (1972), privatizada em 1998, e a Nuclebrás (1975), que continua sob o controle do Estado.

Hoje, como beneficio da perspectiva histórica, pode-se dizer que o protecionismo e o estatismo adotados por Vargas para combater os efeitos da crise de 29 favoreceram o desenvolvimento de um parque industrial pujante no Brasil. Mas também geraram tremendas distorções, como a ineficiência das empresas, o encarecimento dos produtos por falta de concorrência internacional e o desestímulo à inovação. A estatização e o protecionismo tendem a estimular também o descontrole das contas públicas, a corrupção, o empreguismo e o tráfico de influência.

A criação de um clima hostil ao capital estrangeiro também não ajuda o país a se desenvolver. Atualmente, até a China, que se isolou do resto do mundo durante 30 anos, sob o comando de Mao Tsé-tung, tem uma economia aberta. Desde 1978, quando as reformas econômicas abriram o país, a China cresce a taxas de 10% ao ano. O Chile também se tornou um exemplo admirado globalmente e deve se tornar o primeiro país latino-americano a ingressar no Primeiro Mundo, graças, sobretudo, à persistência de políticas econômicas liberais ao longo de 35 anos. A economia brasileira tem um tamanho intermediário entre a chilena e a chinesa e, com certeza, tem lições a extrair de ambas. O modelo econômico adotado por Vargas para combater os efeitos da crise de 1929 pode até ter trazido bons resultados em sua época. Mas, hoje, no mundo globalizado em que vivemos, suas idéias – baseadas no intervencionismo e no nacionalismo paternalista – parecem pertencer ao tempo das diligências.

Paulo Freire

Recebi os endereços abaixo de um amigo e repasso para vocês.

Preciosidades da obra do pedagogo libertário Paulo Freire.  O material é inovador, criativo, original e tem importância histórica inédita. Baixe os arquivos em pdf. E boa leitura!!!


A importância do ato de ler:  http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/LIVROS_PAULO_FREIRE/A_importancia_do_ato_de_ler.pdf

Ação Cultural para a Liberdade:
http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/LIVROS_PAULO_FREIRE/Acao_Cultural_para_a_Liberdade.pdf

Extensão ou Comunicação: 
http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/LIVROS_PAULO_FREIRE/Extensao_ou_Comunicacao1.pdf

Medo e Ousadia: 
http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/LIVROS_PAULO_FREIRE/MedoeOusadia.pdf

Pedagogia da Autonomia: 
http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/LIVROS_PAULO_FREIRE/PedagogiadaAutonomia-P%5B1%5D.Freire.pdf

Pedagogia da Indignação: 
http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/LIVROS_PAULO_FREIRE/PedagogiadaIndignacao-P%5B1%5D.Freire.pdf

Pedagogia do Oprimido: 
http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/LIVROS_PAULO_FREIRE/PedagogiadoOprimido-P%5B1%5D.Freire.pdf

Política e Educação: 
http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/LIVROS_PAULO_FREIRE/PoliticaeEducacao-P%5B1%5D.Freire.pdf

Professora sim, Tia não:
http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/LIVROS_PAULO_FREIRE/Professora_sim,_Tia_nao.pdf

Exercícios de Revisão - 01

Exercícios de Revisão

1) O que são e como podemos identificar os bens substitutos na produção? Exemplifique.

2) Dada uma curva de possibilidade de produção, explique: a) Pleno Emprego dos fatores de produção b) Crescimento: c) Capacidade Ociosa

3) O que são e como podemos identificar se os bens são complementares no consumo? Exemplifique.

4) Em um mercado de concorrência pura ou perfeita, oferta e demanda de um produto são dadas respectivamente pelas seguintes equações:  Qd = 30 – 4p  Qs = 6 + 2p . A quantidade transacionada, neste mercado quando estiver em equilíbrio será:

5)Os bens intermediários são fundamentais no processo produtivo. Eles são assim denominados porque:

a )são transformados em novos produtos por outras unidades produtoras.
b) são importações de materiais que facilitarão o trabalho do setor secundário, no caso dos transportes, como caminhões e peruas.
c) são próprios para bens de pequena produção e consumo no mercado
d) são os produtos exportados para montadoras multinacionais.
e) são os produtos importados para as multinacionais existentes no território brasileiro poder ampliar sua produção final.

6) Dentro do processo produtivo temos dois elementos que são essenciais para o funcionamento da economia de uma sociedade: os fluxos real e nominal (monetário). Assim:

a) fluxo real é o que revela a renda gerada, a circulação monetária no aparelho produtivo; o fluxo nominal refere-se a produção, aos bens e serviços realizados;
b) fluxo real é o mesmo que investimento produtivo e fluxo nominal é a chamada especulação financeira;
c) fluxo real são os insumos da produção e o fluxo nominal são os produtos finais de um determinado segmento da economia;
d) fluxo real e fluxo nominal são respectivamente investimentos produtivos e resultado final da produção.
e) fluxo real refere-se a produção, aos bens e serviços gerados e o fluxo nominal revela a renda, a circulação monetária no aparelho produtivo;

7) A Lei da Demanda ou Procura pode ser definida como:

a) As diferentes quantidades que os consumidores estariam dispostos a ofertar, aos diversos níveis de preços, coeteris paribus.
b) As quantidades procuradas de um bem, em função de seus substitutos;
c) Quando tiver uma relação inversamente proporcional entre a quantidade procurada e o preço do bem.
d) As diferentes quantidades que os consumidores estariam dispostos a ofertar/demandar aos baixos níveis de preços;
e) As quantidades ofertadas de um bem, em função de seus complementares.

8) Uma mercadoria que é demandada em quantidades maiores, quando a renda do consumidor cai, é um:

a) Bem normal;
b) Bem inferior;
c) Bem superior;
d) Bem complementar;
e) Bem substituto.

9) As famílias fazem parte dos mercados de bens e serviços e de fatores de produção, do seguinte modo:

a) Constituem a demanda em ambos os mercados.
b) Constituem a demanda no mercado de bens e serviços e a oferta no mercado de fatores de produção.
c) Constituem a demanda no mercado de fatores de produção e a oferta no mercado de bens e serviços.
d) Constituem a oferta em ambos os mercados.
e) Constituem a venda no mercado de bens e serviços e a procura no mercado de fatores de produção.

10) Uma máquina industrial para a fabricação de refrigerantes em larga escala é considerada como:

a ) bem de consumo;
b ) terra;
c ) bem de capital;
d ) trabalho;
e ) recurso natural

Introdução à Economia - 05

Demanda, Oferta e Equilíbrio de Mercado

Breve Histórico: Os fundamentos da análise da demanda ou procura estão alicerçados no conceito subjetivo de utilidade. A utilidade representa o grau de satisfação que os consumidores atribuem aos bens e serviços que podem adquirir no mercado. Como está baseada em aspectos psicológicos ou preferências, a utilidade difere de consumidor para consumidor (uns preferem uísque, outros preferem cerveja etc.).

A Teoria do Valor Utilidade contrapõem-se à chamada Teoria Valor Trabalho, desenvolvida por economistas clássicos. A Teoria do Valor Utilidade pressupõe que um valor de um bem se forma pela sua demanda, isto é, pela satisfação que um bem representa para o consumidor.

A Teoria Valor Trabalho considera que um bem se forma do lado da oferta, através dos custos do trabalho incorporado ao bem. Os custos de produção eram representados basicamente pelo fator mão-de-obra, em que a terra era praticamente gratuita e o capital pouco significativo.

Pode-se dizer que a Teoria do Valor - Utilidade veio complementar a Teoria Valor – Trabalho, pois não era mais possível predizer o comportamento dos preços dos bens apenas com base nos custos da mão de obra ( ou mesmo custos em geral ) sem considerar o lado da demanda ( padrão de gostos, hábitos, renda etc.).

Ademais, a Teoria do Valor Utilidade permitiu distinguir o valor de uso do valor de troca de um bem. O valor de uso é a utilidade que ele representa para o consumidor. Valor de troca se forma pelo preço no mercado, pelo encontro da oferta e da demanda do bem.

Demanda de Mercado

Conceito: A demanda ou procura pode ser definida como a quantidade de um determinado bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir em determinado período de tempo.

A procura depende de variáveis que influenciam a escolha do consumidor. São elas: o preço do bem e serviço, o preço dos outros bens, a renda do consumidor e o gosto ou preferência do indivíduo. Para estudar-se a influência dessas variáveis utiliza-se a hipótese do coeteris paribus, ou seja, considera-se cada uma dessas variáveis afetando separadamente as decisões do consumidor.

Relação entre a quantidade procurada e preço do bem: A Lei Geral da Demanda

Há uma relação inversamente proporcional entre a quantidade procurada e o preço do bem. É a chamada Lei Geral da Demanda. Essa relação pode ser observada a partir dos conceitos de escala de procura, curva de procura ou função demanda.

A curva da demanda é negativamente inclinada devido ao efeito conjunto de dois fatores: o efeito substituição e o efeito renda. Se o preço de um bem aumenta, a queda da quantidade demanda será provocada por esses dois efeitos somados:

a) Efeito substituição: se um bem possui um substituto, ou seja, outro bem similar que satisfaça a mesma necessidade, quando seu preço aumenta, o consumidor passa adquirir o bem substituto, reduzindo assim sua demanda. Exemplo: Fósforo.

b) Efeito renda: quando aumenta o preço de um bem, o consumidor perde o poder aquisitivo, e a demanda por esse produto diminui.

Outras variáveis que afetam a demanda de um bem

Efetivamente, a procura de uma mercadoria não é influenciada apenas por seu preço. Existe uma série de outras variáveis que também afetam a procura.

a) Se a renda dos consumidores aumenta e a demanda do produto também, temos um bem normal.
b) Bem inferior, cuja demanda varia em sentido inverso às variações da renda; exemplo se o consumidor ficar mais rico, diminuirá o consumo de carne de segunda, e aumentará o consumo da carne de primeira.
c) Bens de consumo saciado, quando a demanda do bem, quase não é influenciada pela renda dos consumidores (arroz, farinha, sal, etc.), muitas vezes ocorre a diminuição do consumo deste tipo de bem, devido ao aumento da renda.
d) Bens substitutos, quando há uma relação direta entre o preço de um bem e a quantidade de outro. Exemplo: um aumento no preço da carne deve elevar a demanda de peixe.
e) Bens complementares: São bens que podem ser utilizados em conjunto ou que ficam melhores utilizados. Ex: Se aumentar o preço da impressora e a quantidade demandada de cartuchos diminuir é porque a impressora e o cartucho são complementares no consumo.

Oferta de Mercado


Pode-se conceituar oferta como as várias quantidades que os produtores desejam oferecer ao mercado em determinado período de tempo. Da mesma maneira que a demanda, a oferta depende de vários fatores; dentre eles, de seu próprio preço, dos demais preços, dos preços dos fatores de produção, das preferências do empresário e da tecnologia.

Diferentemente da função demanda, a função de oferta mostra uma correlação direta entre a quantidade ofertada e nível de preços. É a chamada Lei Geral da Oferta.

Equilíbrio de Mercado


A interação das curvas de demanda e de oferta determina o preço e a quantidade de equilíbrio de um bem ou serviço em um dado mercado.

Obs.: Verificar os gráficos feitos em sala de aula.

Introdução à Economia - 04

Introdução a Microeconomia


Conceito: Microeconomia, ou Teoria Geral dos Preços, analisa a formação de preços no mercado, ou seja, como a empresa e o consumidor interagem e decidem qual o preço e a quantidade de um determinado bem ou serviço em mercados específicos. A microeconomia estuda o funcionamento da oferta e da procura na formação do preço no mercado, isto é, o preço sendo obtido pela interação do conjunto dos consumidores com o conjunto de empresas que fabricam um dado bem ou serviço.

Do ponto de vista da economia de empresas, onde se estuda uma empresa específica, prevalece a visão contábil financeira na formação do preço de venda de seu produto, baseada principalmente nos custos de produção, enquanto na Microeconomia prevalece a visão do mercado.

O conceito de empresa possui 2 visões: a econômica e a jurídica. Do ponto de vista econômico, empresas ou estabelecimento comercial é a combinação pelo empresário, dos fatores de produção: capital, trabalho, terra e tecnologia, de modo organizados para se obter o maior volume possível de produção ou de serviços ao menor custo.

Na doutrina jurídica reconhece-se o estabelecimento como uma universalidade de direito, incluindo-se na atividade econômica um complexo de relações jurídicas entre o empresário e a empresa.


Pressupostos básicos da análise microeconômica

A hipótese coeteris paribus ( tudo o mais permanece constante ): o foco de estudo é dirigido apenas àquele mercado, analisando o papel que a oferta e a demanda nele exercem, supondo que outras variáveis interfiram muito pouco, ou que não interfiram de maneira absoluta.

Papel dos preços relativos

Na análise microeconômica, são mais relevantes os preços relativos, isto é, os preços dos bens em relação aos demais, do que os preços absolutos ( isolados) das mercadorias. Exemplo: se o preço do guaraná cair 10%, mas também o preço da soda cair em 10%, nada deve acontecer na demanda dos dois bens, mas se cair apenas o preço do guaraná, permanecendo inalterado o preço da soda, deve-se esperar um aumento na quantidade procurada de guaraná e uma queda na soda. Embora não tenha havido alteração no preço absoluto da soda, seu preço relativo aumentou, quando comparado com o guaraná.

Princípio da Racionalidade

Por esse princípio, os empresários tentam sempre maximizar lucros condicionados pelos custos de produção, os consumidores procuram maximizar sua satisfação no consumo de bens e serviços ( limitados por sua renda e pelos preços das mercadorias).

Aplicações da análise microeconômica

A teoria microeconômica não é um manual de técnicas para a tomada de decisões do dia-a-dia, mesmo assim ela representa uma ferramenta útil para esclarecer políticas e estratégias, dentro de um horizonte de planejamento, tanto em nível de empresas quanto de nível de política econômica.

Para as empresas, a análise microeconômica pode subsidiar as seguintes decisões:

Políticas de preços da empresa.

Previsão de demanda e faturamento.

Previsão de custos de produção.

Decisões ótimas de produção (melhor combinação dos custos de produção).

Avaliação e elaboração de projetos de investimentos (análise custo/benefício)

Política de propaganda e publicidade.

Localização da empresa.


Em relação da política econômica, pode contribuir na análise e tomada de decisões das seguintes questões:

Efeitos de impostos sobre mercados específicos.

Política de subsídios.

Fixação de preços mínimos na agricultura.

Controle de preços

Política Salarial

Políticas de tarifas públicas. (água, luz, etc.).


Divisão do estudo microeconômico

• Análise da Demanda: A Teoria da Demanda ou Procura de uma mercadoria ou serviço divide-se em Teoria do Consumidor e Teoria da Demanda de Mercado.

• Análise da Oferta: A Teoria da Oferta de um bem ou serviço também se subdivide em oferta de firma individual e oferta de mercado.

• Análise das estruturas de mercado: A partir da demanda e da oferta de mercado são determinados o preço e a quantidade de um bem ou serviço.

* As estruturas de mercado de bens e serviços ( venda ) são:

a) concorrência perfeita; b) monopólio; c) oligopólio d) concorrência imperfeita ou monopolista;

• As estruturas de mercado de fatores de produção ( compra ) são:

a) concorrência perfeita; b) monopólio bilateral; c) monopsônio;

d) oligopsônio.


• Teoria do equilíbrio geral: A análise do equilíbrio geral leva em conta as inter-relações entre todos os mercados, procurando analisar se o comportamento independente de cada agente econômico conduz todos a uma posição de equilíbrio global, embora todos sejam, na realidade, interdependente.

Introdução à Economia - 03

Sistemas Econômicos


Pode ser definido como sendo a forma política, social e econômica pela qual está organizada uma sociedade, e como a sociedade responde as questões fundamentais da economia.

Os sistemas econômicos podem ser classificados em:

A) Sistema capitalista, ou economia de mercado: É aquele regido pelas forças de mercado, predominando a livre iniciativa e a propriedade privada dos fatores de produção.

B) Sistema socialista ou economia centralizada, ou ainda economia planificada: É aquele em que as questões econômicas fundamentais são resolvidas por um órgão central de planejamento (agente planificador), predominando a propriedade pública dos fatores de produção.

Modelo de Economia Aberta


Sistema Econômico Geral (Fechado e Aberto).

Reunião dos diversos elementos (fatores produção) que participam da produção de bens e serviços para atender às necessidades da sociedade.

Há na economia quatro agentes econômicos que são eles: As Famílias, as Unidades de Produção, o Governo e o Resto do Mundo.

Unidades de Produção: (Empresas)

Há três setores que constituem o aparelho de produção de uma economia nacional que são eles:

- O setor primário ou agropecuário que é formado por lavouras (culturas permanentes temporárias, horticultura e floricultura); produção animal e derivados (criação e abate de fados e aves, pesca e caça); extração vegetal (produção florestal e extração vegetal) e indústria rural (beneficiamento ou transformação de produtos agropecuários). Este setor é caracterizado pela baixa mecanização.

- O setor secundário ou industrial, formado pelas indústrias extrativas mineral (extração de minerais metálicos e não metálicos); indústria de transformação (transformam matéria-prima em produto acabado); indústria de construção (todas) e serviços industriais de utilidade pública (produção transmissão e distribuição de energia elétrica, tratamento e distribuição de água) Este setor é caracterizado pela grande mecanização.

- O setor terciário ou de serviços que é formado pelo setor comercial (comércio) atacadista e varejista, intermediários financeiros (bancos em geral); transportes e comunicações (transportes aéreos, ferroviários, hidroviários e rodoviários); serviços de telecomunicação; postais e telégrafos; autônomos (todos os profissionais autônomos) e outros serviços diversos (ensino, assistência médico hospitalar, atividades religiosas, prestação de serviços em geral e profissionais liberais).

Caracterizando os três setores por qualificações de bens temos: os setores primário e secundário trabalhando com bens tangíveis (que são os que possuem matéria física) e o terciário com os intangíveis (que são os bens que não possuem matéria física)

As empresas englobam o complexo de produção, onde os três setores econômicos (primário, secundário e terciário) que descrevemos acima, interagem entre si, produzindo os bens e serviços finais que atenderão as necessidades de consumo e acumulação da sociedade. Os três setores econômicos não são independentes, não são auto-suficientes, entre eles existem relações econômicas, intersetoriais e intrasetoriais.

O trabalho é a parte fundamental de desenvolvimento produtivo.

Ela é dividida em População ativa e inativa:

Ativa  = Ela intervém no processo produtivo e são:
- Empregados=todos que tem trabalho remunerados ou afastados por doença/licença.
-Desempregados= aqueles que têm condições de idade e capacidade física e mental, mas por alguma circunstancia não trabalham.

Inativa = São aqueles que só consomem:
-Aposentados, estudantes, donas-de casa, incapacitados para trabalhar.

Também na formação da economia nacional encontramos as famílias que são todos os que detêm os Recursos de produção que são os recursos econômicos utilizados pelas empresas nas atividades produtivas por meio dos quais é possível produzir bens e ou serviços finais que atenderão as necessidades de consumo e acumulação da sociedade. São recursos de produção capital social, capital, recursos naturais, mão-de-obra, capacidade tecnológica e capacidade empresarial.

Temos, também, o governo (Federal, Estadual e Municipal) que é o agente econômico que atua como produtor de serviços socialmente necessários, atua também como agente redistribuídor de renda (Renda é o pagamento pelo uso dos fatores de produção temos como exemplo o pagemento que as empresas fazem às famílias pelo uso da mão-de-obra (salários) outros exemplos temos: os juros, o lucro, os alugueis, etc) e realizador de investimentos que resultam na variação da formação bruta de capital fixo.

Por último temos o “Resto do mundo” que é um agente econômico que também interfere em uma economia nacional. Ele engloba as economias externas que, por suas vezes, constituem-se da mesma forma que a economia nacional, ou seja, empresas, famílias e governo. Um Sistema Econômico é Aberto quando tem relações com o Resto do Mundo e é Fechado quando não o tem.

Descrevemos acima os quatro agentes econômicos (Sendo os três primeiros constituintes de uma economia nacional). Vamos a partir de agora detalhar como eles trabalham, interagem juntos para o bom funcionamento, harmonia, de uma economia nacional.

Primeiramente temos as famílias ou unidades familiares que fornecerão os Recursos de Produção para as empresas (Fluxo real – que é o fluxo econômico onde temos a circulação de bens e serviços finais) e esta em contrapartida pagará as famílias pelo uso dos recursos de produção em forma de Renda, fluxo monetário. (Temos fluxo monetário quando há a circulação de moeda).

As empresas que com o uso dos Recursos de produção, produz bens e serviços finais e os vende as famílias e/ou governo, temos novamente o fluxo real. Em contra partida as famílias e/ou governo pagam pela aquisição dos bens produzidos ao preço de mercado, temos fluxo monetário.

Desenvolvemos acima o chamado “Mercado de Recursos Produtivos”, mercado de bens e serviços finais.

Empresas e famílias interagem com o governo da seguinte forma:

O governo fornece serviços públicos e formação de capital social de interesse das empresas e/ou famílias; fluxo real. As empresas e/ou pagam tributos; fluxo monetário. Os tributos pagos pela família são tributos diretos (Tributos Diretos é a parcela da arrecadação tributária total que atinge as propriedades e as rendas das unidades familiares e das empresas; entre as categorias que atingem as propriedades, citam-se como exemplos os impostos prediais e territoriais, que em geral representam uma pequena parcela do total da tributação direta). A maior parte é constituída pelos tributos que incidem sobre as remunerações dos fatores de produção, ou seja, sobre a renda cujo o exemplo notório e o Imposto de Renda (I.R.). No caso das empresas temos os tributos diretos (sobre a renda) e indiretos que serão repassados as famílias no preço da mercadoria (Tributos indiretos é a parcela da arrecadação tributária total que se introduz entre os preços dos bens e serviços pagos pelos consumidores e os correspondentes valores efetivamente recebidos pelas empresas); são tributos que oneram as transações referentes ao movimento e a utilização dos bens e serviços produzidos, o ônus desses tributos geralmente se transfere ao consumidor final, embora sua arrecadação seja feita através das empresas.

As famílias fornecem ao governo os recursos de produção e as empresas fornecem ao governo bens e serviços finais, fluxo real. Por sua vez, o governo, paga às famílias pelo uso dos recursos de produção e as empresas pela aquisição dos bens e serviços finais, fluxo monetário.

Descrevemos até então, uma economia nacional. Agora vamos descrever como essa economia, mantêm relações com uma economia internacional (externa). Lembrando sempre que uma economia externa funciona igualmente a economia nacional.

Iremos chamar a economia nacional de “nacional” e a internacional de “externa”.

A nacional exporta bens e serviços finais da externa, fluxo real. Em contrapartida a externa paga por esses bens e serviços que ela importou, fluxo monetário.

A nacional importa bens e serviços finais da externa, fluxo real e paga por esses bens e serviços, fluxo monetário.

Existem também as transferências unilaterais que atualmente em sua maioria são todas de fluxo monetário. Transferências unilaterais ocorre quando um país manda dinheiro, bens ou serviços para fora (outro país) e não recebe a contrapartida. Exemplificando um pai que paga a faculdade de seu filho no exterior, manda o dinheiro para seu filho pagar a faculdade e não recebe nada de contrapartida, pois o dinheiro será utilizado na economia externa (Transações unilaterais são transações econômicas nas quais verificam-se apenas um fluxo, não havendo a contrapartida.).

As transações comerciais entre um país e outro podem ser melhores evidenciadas através do Balanço Internacional de Pagamentos que é um demonstrativo econômico que evidencia as transações econômicas que ocorrem entre os residentes e os não residentes de uma economia nacional.

Dividem-se em “transações correntes” que englobam os fluxos reais de bens e serviços e os pagamentos correspondentes às receitas e despesas realizadas e “movimentos de capital” que registram os créditos e débitos resultantes dos fluxos reais, relevando as variações havidas na posição credora / devedora do país, quanto às suas reservas monetárias internacionais. Englobam ainda as transações que possuem caráter essencialmente financeiro como, por exemplo, os ingressos de capital de empréstimo e de risco no país e as saídas de divisas pertencentes a residentes no país, com vista a aplicações no exterior.

As transações correntes englobam a Balança Comercial que evidencia as importações e exportações de mercadorias e serviços a preço FOB (Free on board, livre no embarque). Balança de Serviços que englobam as viagens internacionais, os seguros e fretes internacionais rendas de capitais, os serviços governamentais e serviços diversos e a Balança de Donativos que caracteriza as transações econômicas unilaterais. Os movimentos de capital, englobam os investimentos estrangeiros líquidos, empréstimos a curto, médio e longo prazo e as amortizações.

(Obs.: Verifiquem o Fluxograma feito em sala de aula)

Introdução à Economia - 02

Escassez e Escolha


Como já vimos, a sociedade não dispõe de recursos produtivos em quantidade suficiente para produzir tudo o que a população deseja.

Assim é que toda sociedade, qualquer que seja sua organização política, se defronta com quatro questões econômicas básicas: O que produzir? Como Produzir? Para quem produzir? Quanto Produzir?

1- O que produzir?

Já que não se pode produzir a quantidade desejada pela sociedade dos mais diversos tipos de bens e serviços, a sociedade deve escolher entre as varias alternativas, quais bens e serviços que serão produzidos, e em que quantidades.

Devemos produzir mais eletrodomésticos do que alimentos? Mais roupas e menos alimentos? Quanto de cada?

2- Como Produzir?

Essa mesma sociedade tem que decidir a maneira pela qual o conjunto de bens escolhido será produzido.

Normalmente os bens podem ser obtidos mediante diferentes combinações de recursos e técnicas. Nesse sentido, deve-se optar pela técnica que resulte no menor custo por unidade de produto a ser obtido.

3- Para quem produzir?

Uma vez decidido que bens produzir e como produzi-los, a sociedade tem de tomar uma terceira decisão fundamental: quem irá receber esses bens e serviços? Esses bens e serviços deverão ser distribuídos entre os diferentes indivíduos que compõem a sociedade. E, de que maneira essa distribuição ocorrerá? Será que todas as pessoas receberão a mesma quantidade de bens e serviços? Ou será que a distribuição de bens e serviços será feita segundo a contribuição de cada um à produção? Ou cada um segundo a sua necessidade.

4- Quanto Produzir?

A sociedade de responder qual a quantidade necessária para a satisfação das necessidades da população, sem desperdício ou falta.


Curva de Possibilidades de Produção – CPP

Podemos chegar a uma rápida conclusão que a Economia é uma ciência ligada a problemas de escolha.

Vamos exemplificar isso:

Um indivíduo, com alguma qualificação técnica possui uma fazenda com instalações, máquinas, equipamentos e um número fixo de trabalhadores.

Ele irá dedicar-se à agricultura, e para tanto terá que decidir o que e como produzir, isto é como seus recursos produtivos serão distribuídos, quanta terra será destinada à pastagem, café, tomate, etc.

Será que deverá destinar determinados espaços de terra somente para abacaxi, ou laranja? Poderia ter também cana de açúcar, etc.

Como os empregados serão dimensionados para esse trabalho. Vejam que não é muito fácil essa divisória de tarefas a ser executadas.

Para simplificar toda essa indecisão, vamos aternos a somente dois tipos de bens: abacaxi e laranja.

Quadro de possibilidades de produção em uma fazenda



Diante desse gráfico acima, digamos que esse fazendeiro queira somente produzir Abacaxis, então veremos que ele poderá ter uma produção máxima de 8000kg na alternativa A. Se fosse a de Laranjas veremos que na alternativa F alcançaríamos o máximo de 5000kg de laranjas.

Se por outro lado ele quiser produzir os dois produtos, então poderemos verificar as possibilidades (De B até E).

Vamos deixar isso mais claro, vendo o gráfico abaixo:

Usaremos o sistema de eixos cartesianos. O eixo vertical (ordenadas), e o eixo horizontal (abscissas). Nas ordenadas teremos abacaxis e nas abscissas laranjas.


Nesse gráfico vemos todas as possibilidades de combinações possíveis entre laranjas e abacaxis, que podem ser estabelecidas, quando todos os recursos estão sendo utilizados.

Eficiência Produtiva

Em nosso caso dessa fazenda, ela estará funcionando de maneira eficiente sempre que aumentarmos a produção de um bem e reduzirmos à do outro bem.

Por exemplo: veja o ponto D, temos lá 5.000kg de abacaxis e 3.000kg de laranjas.

Se o fazendeiro decidisse aumentar a produção de laranjas, poderá passar a operar o ponto E, onde seriam produzidas 4.000kg de laranjas.

Esse aumento de 3.000 p/ 4.000 kg só será possível se uma parte das terras fosse desviada para a produção de laranjas, onde teríamos uma redução de 5.000 p/ 3.000 kg de abacaxis.

Poderemos finalizar dizendo que a fazenda que estiver usando eficientemente seus recursos indicaria uma condição favorável de pleno emprego de fatores produtivos.

Custo de Oportunidade.

É uma expressão utilizada para exprimir os custos em termo de alternativas sacrificadas. O que é isso?

Veja no mesmo exemplo da fazenda:

Se pegarmos o ponto C da curva (6.000 kg de abacaxis e 2.000kg de laranjas) e quisermos ir para o ponto D aumentando a produção de laranja para 3.000kg – teríamos aqui conseguido o sacrifício de 1.000 kg de abacaxis, e daí o acréscimo de 1.000kg de laranjas e diminuição de 1.000 kg de abacaxis, daí o que se chama custo de oportunidade.

Desemprego de fatores produtivos.

Pode acontecer muitas vezes que a fazenda esteja produzindo abaixo de suas possibilidades. Isso ocorre quando os fatores de produção estão ociosos (terras inativas, trabalhadores e máquinas desocupadas).

Essa situação é representada pelo ponto G no interior da curva de possibilidades de produção.

Nesta condição a produção de abacaxis e laranjas podem ser aumentadas até alcançar a curva, simplesmente utilizando o serviço dos fatores ociosos.

Se eu colocar um ponto H fora da curva?

Esse ponto será inatingível (dados os meus atuais fatores de produção), ao menos que compremos novas terras, máquinas, Equipamentos, mão de obra, enfim os fatores de produção são insuficientes para tal realização. Dizemos então que o ponto H é impossível de se produzir dentro dos meus atuais fatores de produção.

Deslocamento da Curva de Possibilidade de Produção

Isso pode ocorrer fundamentalmente tanto em função do aumento da quantidade física de fatores de produção quanto em função de melhor aproveitamento dos recursos já existentes, o que pode ocorrer com o progresso tecnológico, maior eficiência produtiva e organizacional das empresas e melhoria no grau de qualificação da mão-de-obra. Se estivermos tratando de uma empresa ou no nosso exemplo da fazenda dizemos que houve um deslocamento da CPP para a CPP2 (onde esta o acréscimo de fatores produtivos), mas se estivermos falando de um sistema econômico, de uma economia, dizemos que houve Crescimento Econômico.